REGRESSO A CASA

É cool consumir português. Comprar carteiras em cortiça, ir ao mercado biológico ali do bairro, viajar para fora cá dentro. É giro gritar aos sete ventos que “Lisboa é que é”, que o “Porto está na Moda”, que “a Costa Vincentina é tendência”.

É bom reinventar a tradição, fazer dos pregos uma experiência gourmet e reabilitar quiosques de refresco. É trendy ir beber uma ginjinha à noite, fazer um roteiro de tascas e petiscos, pregar que a boa bifana é naquele novo restaurante que saiu naquela revista hipster.

Mas é só para inglês ver? Será que esta portugalidade reencontrada tem menos que ver com o reconhecimento que estamos a dar a nós próprios e mais com uma jogada de marketing? Sabemos vender-nos bem? E mais: será que isso interessa?

Porque, na verdade, somos testemunhas ativas de um novo mercado. O mercado que é nosso, que aposta nos nossos chefs e nos nossos produtores e nos nossos produtos. E se assim for – motivos à parte – talvez este seja o impulso necessário para que o investimento noutras áreas da nossa cultura (como a Moda, o Cinema ou a Música, tão menosprezados e tão bons) acompanhe esta maré de orgulho nacional.

Que se abram bares de vinho do Porto, charcutarias inovadoras, tascas acolhedoras. Mas que se vá, também, às salas quando estreia um filme de Miguel Gomes ou às lojas do Príncipe Real quando as novas coleções dos nossos criadores chegam às prateleiras, ou à ZBD ou ao Musicbox quando a nova geração de músicos lança um álbum. Que se faça tudo por nós, que este regresso a casa não seja só um ar que nos deu.

Irina Chitas

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Homecoming

 

Consuming portuguese stuff is cool. To buy bags made of cork , to go to the organic market on the neighborhood , to travel inside our borders . It’s cute to shout out to anyone who hears that “Lisbon is it! “, that “Oporto is fashionable” , that “Costa Vicentina is a major trend”.

It’s a good thing, to reinvent tradition , to make “pregos” a gourmet experience and rehabilitate refreshment kiosks. And it’s trendy to drink a “ginjinha” when we go out , to make a route of the taverns and its specialties, to preach that a good “bifana” can be eaten at that new restaurant that was reviewed on that hipster magazine.

But is this just for show? Has this rediscovered portugality less to do with the recognition we are finally giving ourselves and more with a marketing ploy ? Are we selling ourselves properly ? And more importantly: does that even matter?

Because, in truth , we are active witnesses of a new market. A market that is ours, that bets on our chefs and on our producers and on our products. And if for so – reasons aside – perhaps this is the necessary impetus so that the investment in other areas of our culture (such as Fashion, Cinema or Music, so despised and so good ) can keep up with this tide of national pride.

Let them be bars specialized in Port, innovative delicatessens and cozy taverns. But lets go, as well, to the debut of the new Miguel Gomes film, or to Príncipe Real when our designer’s new collections hit the shelves, or to ZDB or Musicbox when the new generation of musicians launches an album. Let’s make this for ourselves, so that this homecoming isn’t just a spur of the moment thing.

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